terça-feira, 7 de julho de 2015

Meiguice

Um mês sem cá vir, sem escrever, sem dar notícias. Primeiro foram as férias, a seguir os vírus cá por casa que teimavam em não sair, e depois ainda a necessidade de preparar o ninho físico e psicológico do Zé Maria. Com instruções expressas para abrandar, todo o cuidado é pouco e a palavra de ordem é D-E-S-C-A-N-S-A-R. Mas a verdade é que a minha cabeça está sempre a andar à roda. Posso ter que ficar parada, mas as ideias, os sonhos, os planos, os medos, e as ansiedades estão mais activos do que nunca! E depois aquele nervoso miudinho de me separar dos meus filhos, de lhes ter de dar menos atenção nos primeiros dias, de parar com a minha rotina para dar vida a mais um filho. Um misto de emoções inexplicável, que só quem passa é que percebe. Por um lado, não vejo a hora de o conhecer, de olhar para o Zé Maria, de perceber com quem é parecido, de o encher de beijinhos, de ver os seus pezinhos (como eu adoro pezinhos pequeninos!). Por outro, está tão bem aqui no quentinho! Não sei se estou preparada para mais uma rodada de noites mal dormidas, quando não percebemos porque é que chora, ou quando não sabemos ainda os seus horários, as suas manias, os seus timings. Será que vou conseguir ser boa Mãe?  Foi por estas e por outras que precisei, mais do que nunca, deste mês ausente. Os serões foram guardados para ler, para dormir, preparando-me para quando o meu querido Zé Maria quiser aparecer.
E nada melhor do que voltar à carga neste dia especial, 07.07, data em que fazemos 8 anos de casados. Meu Deus, como é que o tempo passa tão a voar? E não é que o melhor presente que podia receber era um bebé redondinho quase a nascer! Medos e ansiedades à parte, não vejo a hora de ter o meu bebé nos braços, e de ter a certeza que está tudo bem, tudo tranquilo, tudo sereno. Vou é aproveitar esta babyland que se aproxima a passos largos, porque daqui a 8 anos (quando der por mim já lá estamos!) os meus filhos vão ser quase uns adolescentes e eu vou estar aqui a lamentar-me das saudades quando eles eram pequeninos e corriam para a Mãe e para o Pai como quem vê um super-herói. Porque o melhor que posso levar desta vida são as recordações dos meus minis, mesmo as menos boas, como aquelas madrugadas em que ainda não pregámos olho e já sentimos a luz do dia a querer entrar, ou aquelas noites passadas nas urgências em que rezamos para que não seja nada, que seja só um susto a passar com a alvorada. Até disso, tenho a certeza, vou sentir falta, porque aquela sensação única e paradoxa de termos umas mãos pequeninas e indefesas penduradas ao nosso pescoço não volta nunca mais.
Assim, neste dia em que fazemos 8 anos de casados, do que mais me sinto grata, é de ter conseguido, com o meu querido Sebastião, construir uma família linda, (im)perfeita, um pouco barulhenta é certo, por vezes confusa, mas acima de tudo feliz, completa e espectacular. Estamos a conseguir criar dois filhos maravilhosos, com um terceiro a caminho, traçar linhas, cumprir objectivos (ainda que nem sempre), sonhar com metas, alcançando felicidade pura e dura em cada passo. Conseguimos superar barreiras, derrubar obstáculos, passar por cima de pedras e lançar sementes para um futuro promissor. Obrigada, meu amor.
E para quem fala da crise dos sete, com todas as dificuldades sentidas, ditas normais, num casal, ainda conseguimos gerar vida e comprar casa nova, nada mal, não? Talvez porque ainda vivemos de alma e coração. Ainda acreditamos no amor, na devoção, e numa vida inteira de paixão pela família sensacional que estamos a construir. Hoje deu-me para isto...é o que faz um mês sem cá vir (com hormonas choronas à mistura!)
Alguém um dia me disse: Nunca larguem a meiguice!

4 comentários:

  1. Muitos parabéns!! Também comemorei 8 anos de casada (em maio) sem saber que já estava grávida do nosso terceiro filho:)) é uma loucura maravilhosa, não é, esta de nós lançarmos na aventura de mais um bebé, de voltar às noites mal dormidas e a um recém nascido, mas eu estou com muita fé que ao terceiro é tudo mais fácil e que tudo vai correr bem é valer a pena. E é isso que partilho aqui consigo. Parabéns e boa sorte!! E mais difíceis devem ser as noites sem dormir quando eles forem adolescentes e andar-me na borga, porque enquanto estão ali no berço sabemos que estão bem:)

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  2. Parabéns, Francisca.
    Pelos 8 anos. Pela família, Por este texto tão bonito.

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